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Quer conhecer a música chinesa e não sabe como?
Que tal apertar o play na nossa playlist e ver o que selecionamos para você? Com novidades periódicas – que podem ser tanto o último hit como alguma pérola do cancioneiro chinês -, aproximamos o mundo pop – e até rock – dos chineses.
A seleção é das sócias do Radar China Bruna Santos, Fernanda Morena e Janaína Silveira. Além de mostrarem as músicas, elas falam quem são os músicos, as bandas e por que foram importantes. É só ler abaixo.
Acompanhe, não perca as novidades. E som na caixa – ela estará sempre disponível no canto inferior esquerdo do nosso website.
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Cai Qin resgatou a cultura jazzística de Shanghai/Divulgação
得不到的爱情
(Debudao de aiqing)
A canção tem origem nas noites de ouro de Shanghai, quando a cidade era considerada a Paris do Oriente, isso nos idos de 1920 e 1940. Salões de baile eram inundados pelo jazz, que de local guardava as letras em mandarim. A influência toda era ocidental. Muitas das músicas se perderam – tanto que é difícil encontrar partituras e mesmo as letras originais. Cai Qin (蔡琴), cantora folk nascida em Taiwan, regravou várias destas músicas em uma coletânea recente.
As faixas 知音何处寻 (Zhiyin he chuxun) e 好春宵 (Hao chunxiao), logo em seguida, fazem parte do mesmo disco.
天涯歌女
(Tianya ge nu)
A música fala sobre a Cantora Errante, e nesta versão é interpretada por Zhang Yan (张燕). Mas uma das versões mais sensuais está no filme Desejo e Perigo (2007), de Ang Lee. A personagem principal, vivida por Wei Tang, seduz o amante, personagem de Tony Leung Chiu Wai, ao cantá-la durante um encontro em um restaurante japonês durante a ocupação de Shanghai. A cena você confere clicando aqui.
Originalmente, a história da cantora errante apareceu nas telas pela voz de Zhou Xuan, atriz famosa na década de 1937. Aliás, um detalhe: as duas personagens vestem qipao (旗袍), os vestidos chineses que são a cara da moda feminina elegante de Shanghai, onde se passam as duas tramas. A da década de 30 é ainda uma pérola em se tratando de cinema chinês de época, não?

As canções água com açúçar de Teresa Teng foram as primeiras não revolucionárias na China/Divulgação
月亮代表我的心
(Yueliang daibiao wo dexin)
O refrão gruda – fala que a lua lembra o seu grande amor. É um dos grandes sucessos de Teresa Teng, cantora de Taiwan que morreu jovem, aos 42 anos, em 1995, vítima de um problema respiratório. Ela era super popular na Ásia: coreanos, japoneses, tailandeses, vietnamitas, indonésios eram loucos por ela. Mas para os chineses, tinha um apelo especial: foi a primeira intérprete ao chegar ao continente depois de décadas em que as únicas músicas eram composições revolucionárias. O caráter pra lá de água de açúcar pouco importou. Teresa chegou a ser banida, e vários jovens a escutavam em festas às escuras, botando o mesmo cassete à exaustão no aparelho, até arrebentar. Hoje, dizem, onde há chinês, há as canções de Teresa.
Aliás, esta e outras histórias sobre a cena musical chinesa são contadas no divertido Red Rock – The Long, Strange March of Chinese Rock & Roll (2011), do jornalista Jonathan Campbell. O livro é editado apenas em inglês.

O folk chinês da montanha/Divulgação
姑娘的酒窝
(Gunian de jiuwo)
A música é o melhor do folk chinês. Os intérpretes, a Banda dos Homens da Montanha, como é a tradução para 山人乐队 (Shan ren yuedui). Originários das províncias montanhosas de Yunnan e de Guizhou, os músicos representam três minorias étnicas – são 56 na China: a Han (汉族), a Wa (佤族) e a Buyi (佤族). Na música, criaram um estilo próprio, misturando instrumentos tradicionais chineses a outros elétricos. A boa e velha guitarra é também a base das músicas. 山人, ou Gente da Montanha, também está na playlist.

Semelhanças?/Divulgação
沙滩绅士
(Shatan Shenshi)
Brit-Pop Made in China. Pode? Parece que sim. Essa é a proposta da Super Vc (果味VC) – que deixa a influência evidente não só nas músicas, mas na maneira como gosta de se apresentar.
Ótimo post, vou conferir as pérolas selecionadas por voces. ;-)